Historiadora e mestre em Ciências Sociais (Universidade de Brasília), é doutora em Ciências da Comunicação (Universidade de São Paulo) com realização de estágio sanduíche no exterior com Bolsa Capes na Universidade IULM de Milão (2012). Desenvolveu pesquisa de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia (PPGMus), MAE/USP, com bolsa PNPD/Capes (2017) Desde 2005, é pesquisadora do Centro de Pesquisa ATOPOS da ECA-USP, onde coordena a linha de pesquisa - Tekó: a digitalização dos saberes locais. É pesquisadora do InterMuseologias - Laboratório Interfaces entre Museologias - Comunicação, Mediação, Públicos e Recepção, MAE-USP. Colaboradora como pesquisadora do 'Sostenibilia - Osservatorio Internazionale di teoria sociale sulle nuove tecnologie e la sostenibilità' da Universidade La Sapienza de Roma.
Pachamama e a internet of things: para além da ideia ocidental de cidadania
Este artigo busca contribuir para as reflexões acerca da crise das ideias de sociedade e cidadania derivadas do pensamento dicotômico ocidental, a partir da noção de “direitos da natureza” e da inclusão da Pachamama nos debates constitucionais e legislativos em distintos países, bem como da condição tecnológico-comunicativa contemporânea, marcada pela constituição de redes digitais interagentes que conectam além de humanos, biodiversidade, objetos, superfícies, dados, inteligência artificial. Para isso, buscou-se pensar as potencialidades “xamânicas” do processo de digitalização ou da internet of things, como a comunicação não-humana e as relações metamórficas entre info-matérias conectadas, como um exercício cosmopolítico.
O net-ativismo na Amazônia, em contextos pandêmicos
O artigo é parte de uma pesquisa atópica sobre a apropriação de tecnologias por ameríndios amazônicos, que culmina na pandemia do coronavirus. O objetivo da pesquisa aborda o modo como as comunidades ameríndias da Amazônia se apropriaram das tecnologias digitais para as práticas de resistência net-ativistas, diante do vírus da Covid-19 e na desmobilização da informação por parte do governo brasileiro. Resultados: identificação de comunidades ameríndias amazônicas conectadas a internet, que utilizam de recursos net-ativistas; identificação da informação, sobre a Covid-19, que chega as redes ameríndias de comunicação; produção de material audiovisual junto as comunidades, sobre a Covid-19.
A ecologia digital da participação indígena brasileira
O aparecimento da Internet e dos dispositivos de conexão, seus aspectos pervasivos e ubíquos difundidos em escala global tornam-se os vetores do processo de digitalização, do qual territórios, pessoas e coisas se (info)materializam. Ao fazerem parte desse contexto informacional, os povos indígenas brasileiros experimentam a complexificação das suas práticas comunicativas, primordialmente conectivas entre os seus diversos planos cosmológicos (visíveis e invisíveis). Diante desse contexto, este artigo tem como propósito descrever algumas experiências indígenas com o digital, analisando-as à luz de uma ecologia comunicativa reticular, as quais exemplificam a complexificação da atuação de humanos e não humanos no contexto do processo de digitalização.