Mestrando em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UFRN. Bolsista de mestrado Capes e pesquisador integrante do Centro de Pesquisa Internacional Atopos (USP). Pesquisa sobre esfera pública em contextos digitais e formas de participação em rede.
Neste artigo, publicado em 2017 na Revista Maquiavel, Kalyne Vieira discorre sobre os movimentos net-ativistas e como eles organizam o comum partilhado por meio de ações imprevisíveis à luz das teorias sociais e comunicativas tradicionais.
Em 2013, a VICE acompanhou as Jornadas de Junho, como ficaram conhecidos os protestos encabeçados pelo MPL (Movimento Passe Livre). Em São Paulo, foram duas semanas, sete atos, montanhas de lixo incineradas, dezenas de feridos e centenas de presos; além de balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo brutalmente arremessadas pela Polícia Militar, na época comandada pelo governador Geraldo Alckmin. Em 2018, os atos completaram cinco anos e a VICE relembra tudo o que aconteceu republicando nosso documentário feito na época.
Mini Doc. produzido em 2012 pela South by Southwest, o maior festival de cultura inovativa do mundo, transporta-nos para dentro do mundo do Anonymous, o coletivo de hackativismo que redefiniu a desobediência civil na era digital. A produção audiovisual conta com entrevistas entre membros, especialistas e teóricos.
Prof. Dr. Massimo Di Felice fala sobre as manifestações contemporâneas que emergem das redes digitais (e se organizam em rede), a partir de uma perspectiva teórica, explorando a origem desses movimentos, inseridos em uma tradição iniciada pelo cyberpunk e pelo movimento zapatista, os quais inauguram uma nova forma de atuação política que pretende superar as formas representativas, programáticas e institucionais de participação que marcaram as democracias ocidentais. Expõe as principais características dos movimentos que tem intrigado políticos, intelectuais e a sociedade em geral nos quatro cantos do mundo, como os diversos Occupy's, os Indignados, o 5 estrelas na Itália e movimentos que inspiraram a Primavera Árabe.
Esfera pública e Internet: questionamentos e novas formas de participação net-ativistas
Com a popularização da Internet, pesquisadores de diversos campos questionam a aplicabilidade do conceito de esfera pública, desenvolvido por Jürgen Habermas na década de 60, às lógicas contemporâneas de comunicação em rede. Nos últimos anos, após o advento de novas tecnologias, como os Big Data e os algoritmos, tornou-se cada vez mais complexa a constituição atual desta ideia. Portanto, este trabalho propõe a realização de uma breve revisão bibliográfica do conceito de esfera pública de J. Habermas (1997; 2014), além de uma síntese de trabalhos críticos ao autor. Para, enfim, discutir as formas inéditas de conflitualidade e de participação, representada pelo movimento net-ativista “Put it to the people”, a partir da perspectiva ecológica da comunicação de Di Felice (2017).
Para além das reivindicações contra os gastos públicos na organização da Copa do Mundo e por melhorias no transporte, na saúde e educação, as manifestações de junho de 2013 no Brasil ressaltaram uma expressão simbólica das articulações do chamado “net-ativismo”, expressão-chave de um estudo financiado pela FAPESP. No vídeo produzido pela equipe de Pesquisa FAPESP, o sociólogo Massimo Di Felice, do Centro de Pesquisa Atopos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e coordenador do estudo, fala sobre a qualidade e o lugar das ações net-ativistas e como as redes digitais e os novos dispositivos móveis de conectividade estão mudando práticas de participação social no Brasil e no mundo.
Net-ativismo e ecologia da ação em contextos reticulares
No artigo apresentado no GP Cibercultura do Intercom Nacional de 2013, Massimo Di Felice aborda a crise da ação ocidental em direção às ecologias reticulares e, consequentemente, à ação em rede.